Publicidade x Jornalismo
Ano letivo novo, disciplinas novas...
...e a incessante busca por créditos optativos de quem deseja se formar em quatro anos.
Aí, dá nisso...
***
Sexta-feira, primeira aula no Departamento de Publicidade e Propaganda. Estudo da Defesa do Consumidor. A quase-jornalista que busca artifícios que embasem sua formação; o sonho é a prestação do serviço social através da futura prática de um bom jornalismo.
O trabalho final será escolher e reformular um anúncio que infrinja o Código de Defesa do Consumidor ou que não respeite a ?ética publicitária?. “Legal! Achar o objeto de estudo não será difícil! Só que teremos (eu e Ju, que cursa a disciplina comigo) de achar amiguinhos publicitários para a estética da reformulação...” O professor vai dar um exemplo de mau anúncio e sua boa reformulação.
Um anúncio comprido verticalmente e estreito horizontalmente. Na parte de cima, uma foto só das coxas de uma jovem com um shortico preto. Aparece a base da camisa branca. A típica colegial gostosinha. Na coxa direita, algumas palavras manuscritas a caneta.
A propaganda é de quê? De uma Mitsubishi. Uma caneta Mitsubishi! Que por sinal está ampliada, do lado esquerdo da montagem, de ponta cabeça e sem tampa. Ou seja, a ponta da caneta apontando para onde vocês já imaginaram. Não contente, o anúncio traz ainda, a típica “sacadinha” do anúncio de sucesso:
DEPENDENDO DA COLA, A PONTA TEM QUE SER MACIA.
Cola?
Da mocinha????????
Ah! Na perna da menina é uma cola...
Realmente, esse anúncio é de muito mau gosto. Um absurdo! Adorei esse professor!
“Qual o problema do anúncio? O mercado julgou que ele induzia à prática da cola nas escolas...”
Ahhhhhhnnnn?
O anúncio reformulado: A mesma coisa! A mesma foto, a mesma posição fálica da caneta. No lugar das palavras manuscritas, um coração. E a nova frase:
DEPENDENDO DA PELE, A PONTA TEM QUE SER MACIA.
Ótimo!
O mercado aprovou! O anúncio passou...
...
Mercado?????
O mercadoooooo aprovou? É o mercado quem tem que aprovar a ética de um anúncio?
E o problema do anúncio era a indução da cola??????????????
Levantei a mão...
--- Professor, que pessoa faz cola na coxa e vai de shortinhos para a escola?
E ele, com o risinho do publicitário que contraria a quase-jornalista:
--- Bom, eu, que tenho a perna peluda, não...
*Gargalhadas...
--- Olha, professor, eu, que não tenho a perna peluda, não faço cola na perna e nem ia com esse shortinho na escola... Como mulher consumidora, me sinto muito ofendida com essa propaganda!
*Riso para a puritana que não entende nada de técnicas apelativas publicitárias...
Os comentários seguintes foram dos bixos publicitários: Ah, eu gostei muito do anúncio! Não vejo problema nenhum nele! *mais gargalhadas* (o engraçadinho que quer fazer amigos, pagando de pegador...) Ah, o anúncio perdeu a essência com a troca de palavras! (uma menina!!!!!)
...
No fim da aula, saí da sala com aquele sentimento de que não há mais esperança pelo mundo. Também pressenti minhas grandes chances de ser reprovada nessa disciplina...
Entre futebol, cerveja e mulher
Eu sei que a vida da minha mãe foi mais difícil que a minha. A das minhas avós então... Seguindo a lógica, a vida da minha filha deve ser melhor que a minha. Tomara!
Para vocês não acharem que eu tenho alguns parafusos a menos – apesar de provavelmente eu ter mesmo – o que me motivou a escrever aqui depois de mais de seis meses de profundo silêncio é o fato de nesse momento eu não estar jogando bola. Hmmm... acho que não funcionou!
Tudo bem, eu explico melhor! Eu cresci jogando bola. Com meninos. E meninas também, é verdade. Mas, principalmente, com meninos. Por sinal, eu jogo muito bem, obrigada (Esse acesso de amor próprio já, já, fará sentido)! Na minha família há, ou havia, a tradição de estimular, independentemente do sexo, as pessoas a jogarem bola. Desde criança, eu já entrava no campinho junto com os grandes, no meio de um jogo de futebol que eu achava que era de verdade.
Acontece que as crianças crescem. Chegou uma idade em que meus primos e meu irmão ficaram mais fortes que eu... não nego! E acho que a brincadeirinha com a menininha enjôou... Agora eles querem Futebol com F maiúsculo, agora sim de verdade, forte, macho! Resultado: eu não posso mais jogar sempre! Agora só posso quando for brincadeirinha, sabe? Quando não estiver valendo a vida, como é o que parece que vale nos jogos como esse que está acontecendo neste exato momento e do qual, como eu já disse, eu não estou participando! O time de hoje, (sabe?) é muito sujeirão... É perigoso quebrar a minha unha! Afinal, eu sou uma menina... E meninas choram quando nervosas, em vez de bater (eu sei que, felizmente, não são todas, mas eu sou assim e estou com raiva, então, só por hoje, meu valor é universal!), e isso as torna, ou melhor, me torna frágil...
Então, mesmo eu jogando muito melhor que muita gente que está naquele campo hoje, eu não posso estar lá. Por quê? Porque eu sou mais fraca...
Concluo, então, que:
“Técnica, em futebol, é balela! Basta ser um gigante sem noção, e como eu não sou...”
...
Hmmm... Se bem que meu irmãozinho de 10 anos furou essa! Seguindo a tradição da família, adivinhe onde ele está? E, até onde eu sei, eu sou mais forte que ele até os próximos dois ou três anos...
Resta-me buscar uma outra resposta...
Quem sabe, então “Lugar de mulher é longe do campo”?
Pensando bem, essa também não serve! Meu namorado disse que eu posso (e devo, segundo ele!) brincar com as minhas amigas... Futebol de mentirinha, pode (Porque se o que eles jogam é Futebol e eu não posso jogar com eles, eu só posso jogar o de mentirinha)!
Bom, a verdade mesmo que eles não podem admitir para mim... Porque pega mal, nos dias de hoje, ser deliberadamente machista, né? A mulherada está um pouco mais esperta e não dá mais para homem que grita pela rua que mulher boa é na cozinha, quieta ou de quatro na cama... Então, acho que eles estão mais cautelosos com esse tipo de comentário, limitando-o na rodinha masculina pós-pelada (Olha aí, mais um motivo para eu não estar lá!) ou nos profundos pensamentos sinceros e silenciosos... Mas então, voltando à verdade mesmo que eles não podem admitir para mim... A verdade mesmo é que me falta um pinto meu*! Pequenininho que fosse...
Mas a natureza é, na maior parte dos casos, rigorosa! E como eu não pretendo fazer uma cirurgia de mudança de sexo, será que ainda adianta eu queimar meu sutiã na rua ou vão achar que eu estou fazendo propaganda de cerveja?
***
* Para evitar ofertas.
Para alguns, faltou vibe positiva
Não que boyzinhos não fumem maconha, muito pelo contrário! Mas de que nunca se sentiu tanto cheiro de maconha na Anzu quanto ontem, eu tenho quase certeza. Da mesa onde eu estava, lugar privilegiado que eu ousei abandonar por um momento (arrependimento forte!), do show do Natiruts às vezes eu conseguia enxergar a cabeça de o que eu identifiquei como o vocalista da banda, cujo nome, confesso, desconheço.
Como, confesso novamente, o show não estava prendendo muito minha atenção – também, por mais que eu quisesse (e ontem eu não queria muito!), seria difícil devido à quantidade de pessoas que os organizadores conseguiram enfiar lá dentro – comecei a reparar no show que se apresentava ao meu redor. Pessoas que certamente nunca pisariam naquele antro capitalista de modinhas, estavam presentes em nome de uma causa maior: o que o próprio unknown vocalista chama de “vibe positiva”.
Ainda não consegui assimilar direito o que exatamente é uma vibe positiva, mas acredito que seja uma sensação muito boa em que um casal muito peculiar ao meu lado direito estava completamente inserido. Ele, obviamente, de dreads; calça velha, blusa larga e suja. Da onde eu estava conseguia ver bem uma bolsinha pequena, de couro e preta, transpassada. Ela, de pele morena, levava uma fita escura em cima da testa, o cabelo, dividido em dois lados, enrolados por cordões de couro marrom. Saia comprida, casaco grande e cinza de vó. Uma mistura de índia e hippie.
Ao som de “Eu e Ela”, a vibe positiva parece tê-los levado para outro plano. Cantavam alto, abraçavam-se, beijavam-se, dançavam juntos e o pior! Sequer se incomodavam com o mundaréu de gente que ficava passando toda a hora e batendo o cotovelo neles tanto quanto batiam na minha cabeça. Tampouco se incomodavam com o outro casal que estava do meu lado esquerdo; casal, por sua vez, forte estereótipo de Anzu. Ela tinha obviamente um cabelo liso, comprido e loiro (afinal, ela é um estereótipo!), parecia não sentir o mesmo frio que eu (que estava com uma blusa de gola cacharrel, cachecol e um casaco preto), afinal, vestia uma blusa que mostrava bem o fim das costas; calça literalmente entochada. Lá mesmo! Ele, não tão bonito (interessante como mulheres bonitas muitas vezes caem na besteira de se enroscar com homens feios!), gritava com ela usando todas as suas forças e uma expressão de muito poucos amigos. Como boa curiosa, passei a reparar. Provavelmente, algum bêbado passou, tentou agarrá-la enquanto ele não estava por perto e ela caiu na vaidade feminina de contar pra ele quando ele voltou. Briga forte, ao som de “Eu e Ela”.
Eu e eeeeeeeeeeeeeeeeeeela!
Smack smack smack!
Tédio!
Ai!
Vai tomar no seu cu!
Choques de cultura salvam minha noite!
Influências...
Tive uma criação radicalmente e impositivamente católica que se perpetua até hoje na minha convivência familiar. Assim, sinto certa liberdade em escrever sobre a influência particular da religião na vida das pessoas. Como tenho escrito textos muito longos, tentarei limitar-me um pouco; acho que vocês podem aproveitar mais a leitura, não?
Sentada no computador, no típico ócio das férias, procurando jogos bobos online. Não tenho vontade de ler nada muito cult. Chega minha mãe mostrando-me o boletim da Ordem Franciscana que ela assina. Comportamento típico; ela quer fazer a religião sempre presente, por mais que eu insista em me afastar dela. O boletim chega no nome do meu irmão menor; ela justifica que ele se sente triste por não receber nada do correio. Não consigo mais ver ingenuidade nas ações dela; inconscientemente, sei que ela quer que ele seja um seminarista franciscano!
A influência religiosa é de tamanha força que, ainda que eu hesite, atinge-me. Desde que comecei a entender que me encontro, desde que nasci, sobre essa influência, faço de tudo para criar idéias de defesa contra ela. No entanto, de nada adianta. Se não sou pega por acreditar, sou pega pela perturbação de tentar encontrar sua manifestação nas entrelinhas – mesmo quando possa não existir manifestação, mesmo quando minha mãe realmente estivesse apenas exercendo seu terno papel de mãe dando uma correspondência no nome do caçula. Ou seja, de qualquer maneira, reconheço e consolido a tal da força.
Força embasada pela fé. Para tudo o que a razão não explica, existe a fé, que, por sua vez, é um presente de Deus. Não é todo mundo que tem, devemos pedi-la sempre em nossas orações! Desculpa perfeita, não? A Igreja inventou o que convém e faz a lavagem cerebral, consolidada com o esquecimento – possibilitado pela tradição histórica transmitida por gerações - e justificada pela fé. Quando a natureza do ser humano o faz questionar, esse é levado a se culpar: isso é pecado! Devo ter fé...
Uma questão de autonomia
A situação de greve, agravada pela invasão da reitoria no último dia três, retrata mais que um quadro comum na história da USP. A motivação, desta vez, é, pelo menos, um pouco mais clara. Não que, das outras vezes, insuficiência de moradia estudantil, falta de infra-estrutura em departamentos como a FFLCH e corte de verbas fossem menos importantes; obviamente, são problemas-base na organização da Universidade que devem ser sempre questionados. Entretanto, neste ano, mais uma situação contribui para as manifestações: os famigerados decretos do governador de São Paulo José Serra.
Intrigante que, até o presente momento, a mídia não tenha apresentado muito interesse em divulgar tais decretos. A maioria dos veículos só comunica a existência deles; alguns citam seus números e muito poucos, publicam uma breve descrição.
Não lhe desperta curiosidade, entretanto, saber o que levou cerca de 300 estudantes a quebrar os portões de entrada (e apenas os portões, que fique claro!) da reitoria de sua universidade? Oras, porque greve há todo o ano, como afirmam especialmente os descrentes, mas não é todo o ano que estudantes invadem o prédio da administração de uma universidade. Aliás, diga-se de passagem, essa é a primeira vez que estudantes invadem a sala da reitoria da USP. Há algo de podre no reino das universidades públicas, diria Hamlet. E é surpreendente que ninguém aparente querer descobrir do que se trata.
Uma das principais bandeiras do movimento grevista é a ameaça da autonomia das universidades que seria proporcionada por cinco decretos, instituídos pelo governador José Serra no início deste ano. Em documento divulgado no último dia 14, os reitores das três universidades estaduais paulistas defenderam que os decretos preservam a autonomia universitária, uma vez que elas continuam operando suas próprias contas.
Entretanto, a situação não é tão simples assim. O decreto 51.460 reorganiza a administração de algumas instituições estaduais. As universidades públicas do estado de São Paulo serão administradas pela recém-criada Secretaria do Ensino Superior e entidades como a FAPESP e o Centro Paula Souza (Fatecs e Etes), pela Secretaria do Desenvolvimento. O que, à primeira vista, aparenta ser apenas uma divisão administrativa, justificada pelo governador José Serra como uma investida a favor de uma maior atenção às universidades, pode ser interpretado também de uma outra maneira, se considerarmos que o Secretário do Ensino Superior será o presidente do conselho dos reitores. Isso dá a esse Secretário um “certo” poder, não? Os reitores já são escolhidos pelo governo e agora o presidente do conselho de reitores também?
Em relação ao decreto 51.461, o movimento grevista questiona a função, atribuída à Secretaria do Ensino Superior, de tratar da ampliação das atividades de pesquisa “operacionais” nas universidades. Mais uma vez, pode-se atribuir uma leitura dúbia a tal deliberação. A infinidade de pesquisas inúteis em andamento nas universidades públicas é uma realidade, então, pode-se considerar que essa medida tencione combater as futilidades, objetivando realmente soluções para os “problemas da realidade nacional”. Por outro lado, quem é que vai deliberar o que é “operacional” e o que não é? Mais uma vez, o Secretário do Ensino Superior. Quem garante que o direcionamento das pesquisas não será parcial ou não estará sujeito a determinados interesses do mercado?
Com o decreto 51.471, há proibição da contratação de funcionários públicos por tempo indeterminado. Mas por quê? Será essa a melhor maneira de se controlar gastos? A conseqüência direta é o impedimento da contratação de professores; por mais que haja a vaga, situação de muitos departamentos dessas universidades públicas, não se pode contratar e não se sabe até quando durará tal cerceamento.
Já, o decreto 51.636 delibera que as universidades públicas também terão que prestar contas de acordo com o SIAFEM/SP (Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios). Se por um lado, pode-se considerar uma intenção de maior transparência no uso do dinheiro público, por outro, identifica-se o aumento da burocracia para o uso das verbas pertencentes à universidade; se a burocracia para trocar uma tomada já é suficientemente grande, quem dirá para reformar um prédio ou uma sala de aula que alaga em dias de chuva...
Por fim, o decreto 51.660, que cria a Comissão de Política Salarial, composta pelos Secretários da Fazenda, da Economia e Planejamento, de Gestão Pública, do Emprego e pelo Procurador Geral do Estado. Tal Comissão será responsável pela aprovação das negociações de reajustes salariais dos funcionários das universidades, por exemplo. Aprovação das negociações salariais? Então, o Estado terá que escolher ele mesmo dá ou não o aumento a seus funcionários? Enquanto isso, os deputados votam o seu próprio aumento de salário. Posturas favoráveis, não? Uma Comissão de Política Salarial, para funcionários públicos de alto e baixo escalão, deveria apresentar membros variados e não de um mesmo segmento diretamente interessado.
Seria louvável que a mídia parasse de buscar sensacionalismo na situação e empenhasse-se mais em realizar sua obrigação pública de informar a população. Quem quer saber sobre a greve, tem que procurar informações fornecidas pelas partes diretamente envolvidas; não há alternativa! Por que os meios de comunicação, em vez de ficarem jogando apenas com os conflitos ideológicos de tais partes, não procuram, por exemplo, um especialista na área jurídica para esclarecer o que são e em que resultarão efetivamente os Decretos? A partir daí, seria possível a superposição das bandeiras do movimento de greve, das reitorias e do governo, serviço muito mais útil que destacar os trajes dos estudantes que invadiram a reitoria, denegrir a imagem do movimento estudantil e esgotar espaços com a iminência da invasão policial.
***
Alguns, hipocritamente, por NÃO estarem e nem se interessarem por estar a par da situação, só porque integram grandes (e porcos, diga-se de passagem!) veículos de comunicação, vêem-se no direito da onisciência, habilitados a fazer comparações espirituosas – e obviamente “vendáveis” –, que só contribuem para que sua alienação em relação ao mundo seja transmitida aos leitores. Vale a pena conferir:
http://veja.abril.com.br/blogs
* Interessante a prova em que ele se baseia utiliza para afirmar alguma coisa. Uma foto, uma única foto. É, pensando bem, faz algum sentido se eu considerar que esse deve ser o parâmetro de apuração das reportagens da Revista Veja...
http://veja.abril.com.br/blogs
* Onde será que os filhinhos do jornalista da revista brasileira que melhor paga seus funcionários irão estudar mais tarde? Ou você quer me enganar que eles tomam café a la “bandejão” da USP? Posso garantir que por menos de um real, não tem Toddynho, nem Sucrilhos lá...
Oi, gente!
Bom, para quem ainda não está sabendo:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u19491.shtml
Ontem alunos da USP invadiram o prédio da reitoria. Tinham uma reunião marcada com a reitora, Suely Vilela Sampaio. Esta, entretanto, no horário marcado, estava, nada mais, nada menos que na Europa... E não deixou nenhum porta-voz no lugar! Ou melhor, até deixou, teoricamente... O vice-reitor, Franco Maria Lajolo, estava no prédio quando os estudantes chegaram; no entanto, ele não apareceu para atendê-los... Resultado: acabou atendendo na marra, depois de portas quebradas e bastante confusão...
Confusão bem abordada pela Folha. E muito bem, obrigada! Faltou só abordar os fatos de fato, com a licença para o trocadilho. Essa matéria aí de cima ainda está um pouco melhor; já, as primeiras que saíram... Ontem a Folha Online só deu bola fora! Mas o mundo virtual tem a velha vantagem do “delete”, né? Entretanto, quem leu a Folha impressa hoje, pôde acompanhar um pouco dessas bobagens, como a publicação de um dado “relevantíssimo”, contido numa matéria sobre o episódio: “Um dos estudantes que não queriam deixá-la [a pró-reitora Mayana Zatz] entrar [no prédio da reitoria] estava de chinelo e bermuda.” Ahnnnnn? Que que a roupa e o calçado do estudante têm a ver com a história? Com tanta coisa útil para citar no lugar, como a fala dos estudantes de que eles tinham a reunião marcada com a reitora... Obviamente, isso não justifica a invasão, mas favorece uma outra visão de suas motivações, não? Quem for assinante da Folha ou do UOL, pode conferir essa matéria em:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0405200723.htm
Bom, mas isso não vem ao caso agora...
Meu intuito é falar, a seguir, um pouco sobre o que nem a Folha, e nem ninguém, parece ter muita disposição para falar:
Por que raios os estudantes e funcionários das universidades públicas estão tão putos com os tais dos decretos do governador do Estado de São Paulo José Serra?
Aliás, alguém sabe quais são esses decretos? Gente, pelo amor de Deus! Essa é a pergunta mais óbvia quando nos deparamos com essa situação! Engraçado ninguém na mídia querer falar sobre isso... Esse é "apenas" o centro da questão da invasão de hoje e da greve que a USP, a UNESP e a UNICAMP estão planejando para o próximo dia 10.
É, eu acho que enfatizar que vai haver mais uma greve e abominar os protestos “violentos” de estudantes nas universidades públicas deve ser muito mais interessante que fazer as pessoas entenderem O QUE está provocando tudo isso...
Mas vamos ao que interessa... hoje eu vou falar sobre doação de sangue.
Ontem fui ao Hospital das Clínicas doar. Doeu pra caramba (não a agulha, apesar de grande, mas a picada no dedo pro teste de anemia), não enchi a bolsinha, caiu minha pressão, passei mal à beça, fizeram tocar uma sirene, andei de cadeira de rodas, fiquei mais tempo de repouso que o normal, fiquei mole o dia inteiro...
...mas sabe o que é estranho? Mesmo com tudo isso, foi ótimo! É ótimo o sentimento que surge quando você pensa que aqueles vinte minutos (normalmente, quando você não “causa” no hospital, como eu) que você “perde” ali deitado, vão ser úteis para ganhar a vida de até três pessoas... é isso aí! Uma singela bolsinha de 500ml de sangue pode salvar a vida de até TRÊS PESSOAS DIFERENTES!
Não vale a pena? Apenas três (mulheres) ou quatro (homens) vezes por ano, passar por tudo isso para salvar a vida de três pessoas que estarão precisando de qualquer maneira, mesmo que você decida que não vale a pena?
Para mim, valeu!
Ainda mais porque eu já doei a primeira vez... tenho certeza de que quando eu voltar lá pra doar, provavelmente não será mais preciso nem de sirene e nem de cadeira de rodas... E sabem o que é melhor? Que eu sei que ainda que eu precise de tudo isso de novo, eu vou ter e ser super bem tratada, da mesma forma como fui ontem! Solidariedade gera solidariedade, gente! Chega desse medo bobo, dessa comodidade, dessa postergação... doar sangue não dói (só a agulhinha da anemia!) e faz bem! Para você e para os outros!
Além de tudo, ser doador de sangue é muito simples...
Requisitos básicos: ter de 18 a 65 anos e pesar no mínimo 50kg;
Impedimentos temporários*: gripe (sete dias depois de ter sarado), parto (90 dias após normal, 180 após cesariana e um ano após, havendo amamentação), tatuagem e piercing (um ano), relação sexual sem uso de preservativo com parceiro ocasional (um ano), presença em estados com incidência de malária** (se visitou, seis meses; se morou, três anos), doação anterior de sangue (três meses para mulheres e dois para homens);
Impedimentos definitivos*: diagnóstico de hepatite após os 10 anos de idade, diagnóstico de doenças transmissíveis pelo sangue***, contágio de malária, uso de drogas ilícitas injetáveis;
No dia da doação: estar descansado e bem alimentado (mas nada de comida gordurosa quatro horas antes da doação!), não ingerir bebida alcoólica quatro horas antes e 12 depois da doação, portar documento de identificação com foto.
O site http://www.prosangue.sp.gov.br contém todas as informações necessárias para quem quer ser doador, inclusive os postos oficiais de coleta.
* Há algumas restrições mais específicas para a doação; consultar: http://www.prosangue.sp.gov.br/prosangue/actiondoacao.do?acao=quempode ;
** Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia, Roraima, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins;
*** Hepatite B e C, AIDS, doença de Chagas ou relacionada ao vírus HTLV I e II.
***
Tá na hora de atualizar essa budega!
E para comemorar a minha volta... tchan tchan tchan tchan! Template novo e fonte nova! Iééé! Hihi...
Só falta descobrir como eu tiro o histórico daí de baixo... mas logo eu aprendo...
***
Matéria nova: http://www.usp.br/aun/_reeng/materia.php?cod_materia=0704074 ![]()
Matééééria principal!
Tô metida pra caramba! ahuahuhua
E é a mesma que antes estava sem crédito! =)
Muuuito feliz!
Iéééééééé!
Matéria publicada todo dia?
Quem vê pensa que é jornalista...
Quase... estou chegando lá! =)
Minhas matérias novas (e dessa vez com crédito de autoria
http://www.usp.br/aun/_reeng/materia.php?cod_materia=0704041
http://www.usp.br/aun/_reeng/materia.php?cod_materia=0704027
http://www.usp.br/aun/_reeng/materia.php?cod_materia=0704018 (e essa aqui deu um pepino! Ainda bem que eu gravo minhas entrevistas!)
Beijão de uma Jenifer, MUITO feliz, metida à Jornalista!
Eu sei que faz anos que eu não apareço por aqui!
Mas é que eu tenho minha primeira matéria publicada! =)
Que orgulho!
O link, se alguém ainda passear por aqui:
http://www.usp.br/aun/_reeng/materia.php?cod_materia=0704002
Estou muito feliz, apesar de terem esquecido de colocar o crédito da minha autoria justamente na minha matéria! =(
Mas tudo bem! Segunda-feira vou lá xingar todo mundo... hihi
Oi gente!
Depois de mais de um mês de férias, finalmente, realizei um dos meus primeiros projetos de férias, há! Auhahuhua! Assisti a “O Jardineiro Fiel” do Fernando Meirelles e queria falar um pouquinho sobre isso por aqui...
Eu gostei muito do filme! Primeiro por mostrar o nosso talento (leia o talento do Meirelles, hihi) lá fora... Depois pelo filme ser bem filmado e ter boa história. Mas o mais bonito dele mesmo, acho que são as poucas, porém ricas, imagens retratando a cultura africana. E não somente a pobreza, o que é o mais interessante! Ela está, sim, presente, e nem tem como separar esse fator da África... mas há demonstrações de vilas, de contatos com estrangeiros, de hospitais, de organizações familiares... até das famigeradas paisagens, quase a la Rei Leão... ;) É, apesar de não se resumir a isso, é muito injusto se esquecer das belas savanas, apesar de na verdade elas não serem savanas, africanas... =)
No entanto, além do cenário que contribui bastante, “O Jardineiro Fiel” é mais um daqueles filmes que nos fazem pensar! Seu drama é contar uma história criada, a qual, no entanto, é absolutamente pertinente e, por que não, muito próxima de uma possível realidade. Quem liga para a África? Todo mundo liga para o desenvolvimento de seu país e a saúde da própria família...
Ir comprar remédios numa farmácia é uma atitude absurdamente cotidiana. Assistir aos novos experimentos de substâncias em ratos no Fantástico, da mesma forma... O engraçado, eu mesma só passei a pensar nisso depois do filme, é perceber que não há qualquer meio de divulgação que nos mostre essa tênue e fundamental passagem da fronteira do experimento para a prateleira da farmácia... Acredito que as atuais indústrias farmacêuticas provavelmente não patenteiam seus novos medicamentos única e exclusivamente por eles terem curado um tumor no cérebro de um rato ou de um macaco... Não acredito que ainda sejamos cobaias, pelo menos da mesma forma explícita que éramos antes! Há certamente um disfarce maior, como aquele do "boato" das bolachas Passatempo já serem feitas com cereais transgênicos, provavelmente bem antes de eu nascer e certamente bem antes de o mundo imaginar que existiriam transgênicos...
Apesar de um disfarce desses não ser tão dificultoso, é triste pensar então, que para um povo esquecido, talvez nem mesmo tal disfarce seja necessário... quem olha para a África? Garanto que a ONU está mais preocupada em jogar suas cestas básicas de aviões e manter o discurso da manutenção da dignidade mundial humana do que de conferir quais são os tantos interesses das grandes empresas internacionais no continente africano... Triste, ainda, pensar que a dominação e exploração estrangeira na África podem não ter tido fim, mesmo nos dias de hoje; só foram mudando de forma e, o pior, de nitidez...
Dos minerais aos escravos, dos escravos aos vírus... dos vírus aos remédios...
Salve, África tão rica...
...o que mais oferecerá de seus filhos para o bem, e o mal, dos meus?
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u129833.shtml
Qual foi a sua reação ao ler essa reportagem? Ou ao acompanhar a cobertura da mídia em relação aos ataques no Rio? O ônibus incendiado com passageiros dentro, os ataques a policiais, a ambulante que morreu abraçada ao filho...
As tragédias normalmente não me sensibilizam mais. Mais um que morre, vítima da violência, que, todos sabemos, é originada pelos tantos problemas sociais que nosso país possui: o desemprego, a fome, a falta de saneamento, de condições de saúde e educação... Não é preciso ser muito esperto para ter consciência da nossa situação...
Entretanto, ao ver no Jornal da Globo a notícia da ambulante (a mesma citada na reportagem acima) que morreu abraçada ao filho, eu me surpreendi: eu chorei! Da mesma forma, no outro dia, quando li uma pequena nota sobre esse episódio em meio à vasta cobertura da Folha sobre a “Onda de Violência”, antes em São Paulo e agora no Rio. Mas por que eu chorei? Talvez pela habilidade dos jornalistas que recitaram e escreveram tal notícia, aproveitando um tema sensitivo para lhe atribuir um ar romantizado... afinal, quantas mães morrem, normalmente, no Rio, abraçadas a seus filhos? Também não é preciso ser muito esperto para compreender que essa é uma situação comum, especialmente nas grandes cidades. Não é necessária uma “Onda de Ataques” de alta repercussão na mídia, para a gente saber quanta gente morre por dia no Rio...
Exatamente por esse contexto de normalidade em relação à violência, é comum a falta de sensibilização a que me referi. No entanto, eu atravessei esse limite e me sensibilizei com um desses acontecimentos tidos como comuns. Independentemente do motivo que tenha me levado a essa emotividade, penso que isso é positivo!
Absorvemos o absurdo que é a situação do Brasil! Tentamos explicar a violência com as questões sociais, a corrupção com a alienação da população, o atraso econômico com a dependência externa e assim se corrobora cada vez mais o nosso ciclo sem fim. Enquanto encontrarmos explicações e desculpas, confortos para a nossa emotividade enrustida pela normalização de nossas deficiências, nada será mudado. E mudado para quê? Como? É assim mesmo, a situação é essa, o que podemos fazer? Os políticos brasileiros são corruptos mesmo, a população brasileira é pobre e, para sempre, exportaremos bens de baixo valor agregado... a taxa de juros é alta porque são os banqueiros que mandam em nosso país, assim, nossa indústria não pode crescer porque o capital especulativo suga todo o nosso potencial de investimentos...
Aforismos tão escachados talvez sejam mais uma explicação para a situação do Brasil...
...e de explicação em explicação, continuamos na mesma! Ondas de ataques e mães que morrem abraçadas a seus filhos... espero, pelo menos, chorar novamente, da próxima vez que eu vir uma notícia dessas!
Oi gente!
Depois de quase dois meses sem postar estou de volta! hehe
Estou postando aí embaixo o e-mail que eu tentei enviar hoje para nossos excelentíssimos senhores deputados, os quais aprovaram seu próprio salarial de 91%. Misteriosamente, houve problema de entrega em TODOS os endereços deles...
Tudo bem, a gente continua tentando... ;)
Beijoca, já estava com saudades!
Férias são fogo! hehe
P.S.: para quem for insistente e paciente como eu: dep.aldorebelo@camara.gov.br, renan.calheiros@senador.gov.br, dep.cironogueira@camara.gov.br, dep.jorgealberto@camara.gov.br, dep.lucianocastro@camara.gov.br, dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br, dep.wilsonsantiago@camara.gov.br, dep.miroteixeira@camara.gov.br, dep.sandrarosado@camara.gov.br, colbertmartins@camara.gov.br, dep.bismarckmaia@camara.gov.br, dep.rodrigomaia@camara.gov.br, dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br, dep.sandromabel@camara.gov.br, dep.givaldocarimbao@camara.gov.br, dep.arlindochinaglia@camara.gov.br, dep.inacioarruda@camara.gov.br, dep.carloswillian@camara.gov.br, dep.marioheringer@camara.gov.br, dep.inocenciooliveira@camara.gov.br, demostenes.torres@senador.gov.br, efraim.morais@senador.gov.br, tiao.viana@senador.gov.br, neysuassun@senador.gov.br, dep.beneditodelira@camara.gov.br, ideli.salvatti@senadora.gov.br
|
|
||||
|
||||
|
|
||||
|
||||