Publicidade x Jornalismo

 

Ano letivo novo, disciplinas novas...

...e a incessante busca por créditos optativos de quem deseja se formar em quatro anos.

Aí, dá nisso...

***
Sexta-feira, primeira aula no Departamento de Publicidade e Propaganda. Estudo da Defesa do Consumidor. A quase-jornalista que busca artifícios que embasem sua formação; o sonho é a prestação do serviço social através da futura prática de um bom jornalismo.

O trabalho final será escolher e reformular um anúncio que infrinja o Código de Defesa do Consumidor ou que não respeite a ?ética publicitária?. “Legal! Achar o objeto de estudo não será difícil! Só que teremos (eu e Ju, que cursa a disciplina comigo) de achar amiguinhos publicitários para a estética da reformulação...” O professor vai dar um exemplo de mau anúncio e sua boa reformulação.

Um anúncio comprido verticalmente e estreito horizontalmente. Na parte de cima, uma foto só das coxas de uma jovem com um shortico preto. Aparece a base da camisa branca. A típica colegial gostosinha. Na coxa direita, algumas palavras manuscritas a caneta.

A propaganda é de quê? De uma Mitsubishi. Uma caneta Mitsubishi! Que por sinal está ampliada, do lado esquerdo da montagem, de ponta cabeça e sem tampa. Ou seja, a ponta da caneta apontando para onde vocês já imaginaram. Não contente, o anúncio traz ainda, a típica “sacadinha” do anúncio de sucesso:

DEPENDENDO DA COLA, A PONTA TEM QUE SER MACIA.

Cola?
Da mocinha????????

Ah! Na perna da menina é uma cola...

Realmente, esse anúncio é de muito mau gosto. Um absurdo! Adorei esse professor!

“Qual o problema do anúncio? O mercado julgou que ele induzia à prática da cola nas escolas...”

Ahhhhhhnnnn?

O anúncio reformulado: A mesma coisa! A mesma foto, a mesma posição fálica da caneta. No lugar das palavras manuscritas, um coração. E a nova frase:

DEPENDENDO DA PELE, A PONTA TEM QUE SER MACIA.

Ótimo!
O mercado aprovou! O anúncio passou...

...

Mercado?????
O mercadoooooo aprovou? É o mercado quem tem que aprovar a ética de um anúncio?

E o problema do anúncio era a indução da cola??????????????

Levantei a mão...
--- Professor, que pessoa faz cola na coxa e vai de shortinhos para a escola?
E ele, com o risinho do publicitário que contraria a quase-jornalista:
--- Bom, eu, que tenho a perna peluda, não...
*Gargalhadas...
--- Olha, professor, eu, que não tenho a perna peluda, não faço cola na perna e nem ia com esse shortinho na escola... Como mulher consumidora, me sinto muito ofendida com essa propaganda!
*Riso para a puritana que não entende nada de técnicas apelativas publicitárias...

Os comentários seguintes foram dos bixos publicitários: Ah, eu gostei muito do anúncio! Não vejo problema nenhum nele! *mais gargalhadas* (o engraçadinho que quer fazer amigos, pagando de pegador...) Ah, o anúncio perdeu a essência com a troca de palavras! (uma menina!!!!!)

...

No fim da aula, saí da sala com aquele sentimento de que não há mais esperança pelo mundo. Também pressenti minhas grandes chances de ser reprovada nessa disciplina...

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