Oi gente!

 

Depois de mais de um mês de férias, finalmente, realizei um dos meus primeiros projetos de férias, há! Auhahuhua! Assisti a “O Jardineiro Fiel” do Fernando Meirelles e queria falar um pouquinho sobre isso por aqui...

 

Eu gostei muito do filme! Primeiro por mostrar o nosso talento (leia o talento do Meirelles, hihi) lá fora... Depois pelo filme ser bem filmado e ter boa história. Mas o mais bonito dele mesmo, acho que são as poucas, porém ricas, imagens retratando a cultura africana. E não somente a pobreza, o que é o mais interessante! Ela está, sim, presente, e nem tem como separar esse fator da África... mas há demonstrações de vilas, de contatos com estrangeiros, de hospitais, de organizações familiares... até das famigeradas paisagens, quase a la Rei Leão... ;) É, apesar de não se resumir a isso, é muito injusto se esquecer das belas savanas, apesar de na verdade elas não serem savanas, africanas... =)

 

No entanto, além do cenário que contribui bastante, “O Jardineiro Fiel” é mais um daqueles filmes que nos fazem pensar! Seu drama é contar uma história criada, a qual, no entanto, é absolutamente pertinente e, por que não, muito próxima de uma possível realidade. Quem liga para a África? Todo mundo liga para o desenvolvimento de seu país e a saúde da própria família...

 

Ir comprar remédios numa farmácia é uma atitude absurdamente cotidiana. Assistir aos novos experimentos de substâncias em ratos no Fantástico, da mesma forma... O engraçado, eu mesma só passei a pensar nisso depois do filme, é perceber que não há qualquer meio de divulgação que nos mostre essa tênue e fundamental passagem da fronteira do experimento para a prateleira da farmácia... Acredito que as atuais indústrias farmacêuticas provavelmente não patenteiam seus novos medicamentos única e exclusivamente por eles terem curado um tumor no cérebro de um rato ou de um macaco... Não acredito que ainda sejamos cobaias, pelo menos da mesma forma explícita que éramos antes! Há certamente um disfarce maior, como aquele do "boato" das bolachas Passatempo já serem feitas com cereais transgênicos, provavelmente bem antes de eu nascer e certamente bem antes de o mundo imaginar que existiriam transgênicos...

 

Apesar de um disfarce desses não ser tão dificultoso, é triste pensar então, que para um povo esquecido, talvez nem mesmo tal disfarce seja necessário... quem olha para a África? Garanto que a ONU está mais preocupada em jogar suas cestas básicas de aviões e manter o discurso da manutenção da dignidade mundial humana do que de conferir quais são os tantos interesses das grandes empresas internacionais no continente africano... Triste, ainda, pensar que a dominação e exploração estrangeira na África podem não ter tido fim, mesmo nos dias de hoje; só foram mudando de forma e, o pior, de nitidez...

 

Dos minerais aos escravos, dos escravos aos vírus... dos vírus aos remédios...

 

Salve, África tão rica...

...o que mais oferecerá de seus filhos para o bem, e o mal, dos meus?

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