http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u129833.shtml
Qual foi a sua reação ao ler essa reportagem? Ou ao acompanhar a cobertura da mídia em relação aos ataques no Rio? O ônibus incendiado com passageiros dentro, os ataques a policiais, a ambulante que morreu abraçada ao filho...
As tragédias normalmente não me sensibilizam mais. Mais um que morre, vítima da violência, que, todos sabemos, é originada pelos tantos problemas sociais que nosso país possui: o desemprego, a fome, a falta de saneamento, de condições de saúde e educação... Não é preciso ser muito esperto para ter consciência da nossa situação...
Entretanto, ao ver no Jornal da Globo a notícia da ambulante (a mesma citada na reportagem acima) que morreu abraçada ao filho, eu me surpreendi: eu chorei! Da mesma forma, no outro dia, quando li uma pequena nota sobre esse episódio em meio à vasta cobertura da Folha sobre a “Onda de Violência”, antes em São Paulo e agora no Rio. Mas por que eu chorei? Talvez pela habilidade dos jornalistas que recitaram e escreveram tal notícia, aproveitando um tema sensitivo para lhe atribuir um ar romantizado... afinal, quantas mães morrem, normalmente, no Rio, abraçadas a seus filhos? Também não é preciso ser muito esperto para compreender que essa é uma situação comum, especialmente nas grandes cidades. Não é necessária uma “Onda de Ataques” de alta repercussão na mídia, para a gente saber quanta gente morre por dia no Rio...
Exatamente por esse contexto de normalidade em relação à violência, é comum a falta de sensibilização a que me referi. No entanto, eu atravessei esse limite e me sensibilizei com um desses acontecimentos tidos como comuns. Independentemente do motivo que tenha me levado a essa emotividade, penso que isso é positivo!
Absorvemos o absurdo que é a situação do Brasil! Tentamos explicar a violência com as questões sociais, a corrupção com a alienação da população, o atraso econômico com a dependência externa e assim se corrobora cada vez mais o nosso ciclo sem fim. Enquanto encontrarmos explicações e desculpas, confortos para a nossa emotividade enrustida pela normalização de nossas deficiências, nada será mudado. E mudado para quê? Como? É assim mesmo, a situação é essa, o que podemos fazer? Os políticos brasileiros são corruptos mesmo, a população brasileira é pobre e, para sempre, exportaremos bens de baixo valor agregado... a taxa de juros é alta porque são os banqueiros que mandam em nosso país, assim, nossa indústria não pode crescer porque o capital especulativo suga todo o nosso potencial de investimentos...
Aforismos tão escachados talvez sejam mais uma explicação para a situação do Brasil...
...e de explicação em explicação, continuamos na mesma! Ondas de ataques e mães que morrem abraçadas a seus filhos... espero, pelo menos, chorar novamente, da próxima vez que eu vir uma notícia dessas!
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