Boa noite, deputados que me representam!
Tendo em vista a afirmação anterior, a função de vocês - representar-me - vejo-me no direito de escrever esse e-mail e, mais do que isso, obter uma resposta. Espero que ainda exista democracia nesse país e que eu seja atendida portanto...
Acredito, sinceramente, que vossas excelências já tenham sido bastante repudiadas em relação a sua autoaprovação de aumento salarial de diversas maneiras: educadas, sinceras, despolidas... saibam que o meu ímpeto é justamente um repúdio despolido, desbocado... com direito a xingamentos e tudo. Entretanto, acredito que, apesar de vocês não merecerem, a função de representante de um Estado exige certo respeito mútuo, ou seja, de mim para vocês e de vocês para mim. Apesar de esse respeito não estar sendo mútuo, há certa deficiência de vocês para mim, eu vou dar o exemplo e respeitá-los!
Tendo em vista isso, gostaria de fazer algumas comentários...
Deputada Sandra Rosado, vossa excelência passava dificuldade com um salário mensal de R$12,8 mil (sem contar os auxílios)? Vossa excelência sabe o que é passar dificuldade? Sugiro que visite um dos mais de 50% de lares do país, o qual vossa excelência representa, que são sustentados com um salário mínimo, no caso R$350, e pergunte-lhes se eles passam dificuldade. É simples e vossa excelência não precisa ir muito longe... garanto que encontrará alguém para lhe atender a não muitos quilômetros do Palácio da Alvorada.
Deputado Arlindo Chinaglia, concordo com vossa excelência, efetivamente, os três poderes deveriam ter a mesma remuneração! Entretanto, quem lhes dá o direito de receber 36 vezes mais que um trabalhador comum? E agora 70 vezes mais? Eu respondo: Vocês! Vocês são os únicos profissionais do país que votam o próprio aumento do salário! Alguma coisa está errada aqui... ou vocês deixam o povo votar o próprio aumento do salário mínimo, como vocês, ou é mister a criação de um órgão unilateral, desvinculado de vossas excelências, que discuta o seu aumento salarial, assim como o Ministério do Trabalho discute o aumento do mínimo.
Deputado José Múcio, vossa excelência me perdoe, mas não acho que a Câmara e o Senado sejam um antro de cérebros. Acho muito pelo contrário, que eles estão bem distantes disso! Não os considero pessoas de cérebro tão digno a não ser para os seus próprios interesses. São muito inteligentes para multiplicar suas próprias vantagens! Mas só! Para mim, não se volta sequer uma representação de inteligência de vossas excelências!
Senador Demóstenes Torres, ao contrário de vossa excelência, acho esse aumento hipocritíssimo! Como é possível um aumento de 91% de seus salários, sendo que vossas excelências já recebem 36 vezes mais, e impossível um aumento de 20% num salário mínimo que, somente há pouco tempo, passou a comprar uma cesta básica?
Essa situação é lamentável!
Sinto-me como se vossas excelências tivessem me colocado, mais uma vez, um nariz de palhaço! Fazem do Brasil um circo!
É inconcebível que vossas excelências votem o aumento do próprio salário e vetem o aumento do salário mínimo!
É inconcebível que vossas excelências recebam a quantia que recebem e, ainda, tenham antecessores envolvidos em esquemas de corrupção!
Sou cidadã e futura jornalista. E saibam que isso não vai ficar por menos!
Estou começando agora a fazer a minha parte para me opor a esse desrespeito que vossas excelências estão impondo ao povo braseileiro.
Que soe não como uma ameaça física - transgredindo alguma lei -, mas moral - de defesa de meus direitos: vocês terão o que merecem! E eu vou continuar a fazer tudo o que está ao meu alcance para que vocês efetivamente tenham o que merecem!
Não dei voto a nenhum de vocês e esse é só o começo!
Grata pela atenção!
Jenifer Corrêa, 20 anos.